Aula 09: Cabeamento Estruturado e Norma ABNT NBR 14565

Os 6 subsistemas, regra dos 100m, ocupação de calhas e boas práticas.

ABNT NBR 145656 SubsistemasRegra dos 100 MetrosOcupação 40% em Calhas 15 Slides Aprofundados Fotos Reais & Schematics
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O que é Cabeamento Estruturado?

Conceito de Engenharia

Disposição padronizada e modular de cabos, conectores e passivos projetada para suportar qualquer tecnologia de rede.

Independência de Aplicação

A mesma tomada RJ45 suporta voz (VoIP), dados (Ethernet), vídeo IP, controle de acesso e automação predial.

Ciclo de Vida Útil

Projetado para durar de 10 a 15 anos, sobrevivendo a múltiplas gerações de switches e computadores.

O que é Cabeamento Estruturado?
Esquema: A Arquitetura do Cabeamento Estruturado

A Norma Brasileira ABNT NBR 14565

Escopo Normativo

Norma brasileira que regulamenta o projeto e instalação de cabeamento estruturado em edifícios comerciais e data centers.

Harmonização Internacional

Alinhada com os padrões mundiais ANSI/TIA-568 e ISO/IEC 11801.

Segurança Jurídica

Projetos em conformidade com a NBR 14565 garantem desempenho homologado e respaldo em laudos periciais.

A Norma Brasileira ABNT NBR 14565
Esquema: Estrutura Geral da Norma ABNT NBR 14565

Subsistema 1: Instalações de Entrada (EF - Entrance Facilities)

Ponto de Demarcação

Local onde os cabos das operadoras de telecomunicações públicas entram no edifício.

Proteção Elétrica Primária

Abriga protetores de surto a gás para proteger a rede interna contra descargas na fiação externa.

Transição de Cabos

Transição do cabo de uso externo (geleiado/reforçado) para o cabo interno com classificação antichama.

Subsistema 1: Instalações de Entrada (EF - Entrance Facilities)
Esquema: Subsistema de Entrada (EF)

Subsistema 2: Sala de Equipamentos (ER - Equipment Room)

O Coração do Edifício

Espaço centralizado que abriga os servidores principais, roteadores de borda e o Switch Core.

Requisitos Críticos

Piso elevado, nobreaks redundantes, gerador a diesel, controle de umidade e sistema de combate a incêndio por gás FM-200.

Conexão com o Backbone

Ponto de partida do backbone vertical para todos os andares do prédio.

Subsistema 2: Sala de Equipamentos (ER - Equipment Room)
Foto Real: Sala de Equipamentos (ER) e Racks de Servidores

Subsistema 3: Backbone Vertical (Prumada)

Interligação de Andares

Cabos que interligam a Sala de Equipamentos (ER) às Salas de Telecomunicações (TR) de cada pavimento.

Meio Recomendado

Fibras ópticas monomodo ou multimodo OM3/OM4 com alta capacidade de agregação de tráfego.

Passagem Segura

Lançado em prumadas verticais protegidas contra fogo com selagem antichama (Firestop).

Subsistema 3: Backbone Vertical (Prumada)
Esquema: Backbone Vertical de Prumada Óptica

Subsistema 4: Sala de Telecomunicações (TR - Telecom Room)

Distribuidor do Andar

Espaço no pavimento que abriga o rack com os switches de acesso e patch panels horizontais.

Área de Cobertura

Cada TR deve atender uma área de até 1.000 m² no andar.

Limite de Distância

Posicionada estrategicamente para que nenhum cabo horizontal ultrapasse 90 metros.

Subsistema 4: Sala de Telecomunicações (TR - Telecom Room)
Foto Real: Sala de Telecomunicações (TR) do Andar

Subsistema 5: Cabeamento Horizontal (Distribuição)

Do Rack à Tomada

Lances de cabo que saem da traseira do Patch Panel no TR até o Keystone na Área de Trabalho.

Cabo Maciço Sólido

Utiliza cabo de cobre rígido de 4 pares (Cat 6 ou Cat 6A) sem emendas.

Topologia em Estrela

Cada ponto de rede possui seu próprio cabo contínuo e independente.

Subsistema 5: Cabeamento Horizontal (Distribuição)
Esquema: Distribuição do Cabeamento Horizontal

Subsistema 6: Área de Trabalho (WA - Work Area)

Ponto de Uso do Usuário

Compreende a tomada RJ45 fêmea na parede/piso, o patch cord flexível e o computador.

Densidade Mínima de Tomadas

A norma recomenda no mínimo 2 tomadas RJ45 para cada posto de trabalho de 10 m².

Comprimento Máximo

O patch cord da área de trabalho não deve exceder 5 metros de extensão.

Subsistema 6: Área de Trabalho (WA - Work Area)
Foto Real: Tomada RJ45 Fêmea na Área de Trabalho

A Regra dos 100 Metros: Canal vs. Enlace Permanente

Enlace Permanente (Permanent Link ≤ 90m)

O lance de cabo fixo sólido entre o Patch Panel do TR e o Keystone da Tomada.

Patch Cords de Manobra (≤ 10m somados)

Até 5m de patch cord no rack + até 5m de patch cord na mesa do usuário.

Canal Completo (Channel ≤ 100m)

Canal Total = 90m (Fixo) + 10m (Flexíveis) = MÁXIMO 100 METROS.

A Regra dos 100 Metros: Canal vs. Enlace Permanente
Esquema: Canal de 100m vs. Enlace Permanente de 90m

Por que o Limite é de 100 Metros?

Atraso de Propagação (Propagation Delay)

A velocidade da eletricidade no cobre (~0,7c) leva cerca de 500 ns para percorrer 100 metros.

Tempo de Colisão Ethernet (Slot Time)

O protocolo Ethernet exige que um pacote de 64 bytes viaje e volte a tempo de detectar colisões.

Limite Físico Estrito

Ultrapassar 100 metros corrompe o mecanismo de temporização e derruba a taxa de transferência.

Por que o Limite é de 100 Metros?
Esquema: Física do Tempo de Propagação Ethernet

Taxa de Ocupação de Calhas e Dutos (40%)

Limite Inicial de 40%

A área ocupada pela soma dos cabos não pode ultrapassar 40% da área da seção transversal da calha.

Prevenção de Esmagamento

O peso excessivo de cabos amontoados esmaga os pares inferiores, alterando a geometria da cruzeta e gerando NEXT.

Reserva de Expansão (60% Livre)

Garante espaço físico para futuras expansões sem necessidade de quebrar paredes.

Taxa de Ocupação de Calhas e Dutos (40%)
Esquema: Dimensionamento de Ocupação em Eletrocalhas

Raio de Curvatura e Limites de Tração

Raio de Curvatura Mínimo

Cabos UTP: pelo menos 4 vezes o diâmetro externo | Cabos Blindados: pelo menos 8 vezes.

Força Máxima de Puxamento

Limite estrito de 110 N (11 kgf) ao puxar feixes de cabos nos conduítes.

Consequência do Excesso

Puxar com força excessiva estica os condutores de cobre, afinando a bitola e alterando a impedância.

Raio de Curvatura e Limites de Tração
Foto Real: Respeito ao Raio de Curvatura em Curvas

Identificação e Administração ANSI/TIA-606

Código Alfanumérico Único

Cada tomada, porta de patch panel e cabo deve ter uma etiqueta indelével padronizada.

Exemplo de Padrão

1A-TR01-PP02-P14 (Edifício 1, Andar A, Sala TR01, Patch Panel 02, Porta 14).

Agilidade Operacional

Permite que qualquer técnico identifique a origem e destino de um cabo em segundos sem zumbidor.

Identificação e Administração ANSI/TIA-606
Foto Real: Identificação Padronizada nas Portas do Patch Panel

Classificação Antichama de Cabos (CM, CMR, CMP e LSZH)

CM / CMX

Uso residencial e tubulações metálicas fechadas simples.

CMR (Riser)

Retardante a chamas para prumadas verticais entre andares.

LSZH (Low Smoke Zero Halogen)

Obrigatório em locais de grande circulação pública; não emite fumaça preta tóxica nem gases halógenos em incêndios.

Classificação Antichama de Cabos (CM, CMR, CMP e LSZH)
Foto Real: Capa LSZH com Baixa Emissão de Fumaça

Checklist de Entrega e Recebimento de Obras

1. Relatório de Certificação 100%

Todas as portas aprovadas no certificador Fluke com margem positiva (Pass).

2. Documentação As-Built

Plantas baixas atualizadas com a localização exata de cada ponto e rota de calhas.

3. Termo de Garantia

Emissão do certificado de garantia estendida de 15 a 25 anos junto ao fabricante.

Checklist de Entrega e Recebimento de Obras
Foto Real: Obra Concluída com Padrão de Engenharia WebDocLM